segunda-feira, maio 12, 2014

Retalho histórico da vida religiosa de Cruz

Capela


Consta digno de registro histórico, no Livro de Tombo da Paróquia
Igreja Matriz de Cruz
de Nossa Senhora da Conceição em Acaraú, a transcrição de uma carta de Dom Joaquim José Vieira, então 2º Bispo do Ceará, data-da de 14 de setembro de 1885, que enaltece a pessoa de Francisco Bernardino Albuquer-que, designado como instituidor pelo seu empenho na dispo-nibilização de seus próprios recursos, bem como, na captação de mão de obra junto à pequena comunidade de Cruz, para a edificação da capela consagrada que foi a São Francisco.

No já distante ano de 1884, no vigésimo dia do mês de dezembro, a pequena capela, recém erguida, foi abençoada solenemente pelo Pe. Vicente Giffoni Patrício e com participação de pessoas vindas da Paróquia de Acaraú, onde juntamente com a comunidade local, trouxeram nesse dia, em procissão, a imagem de São Francisco de Assis que pode ser vista no altar da nave principal de nossa Matriz.

No paroquiato do Pe. Sabino de Lima Feijão foi efetuada uma grande reforma, transformando por completo a acanhada capelinha no ano de 1934 a 1938, reforma esta que foi confiada à responsabilidade de Urbano José da Silveira.

Além do empenho de Francisco Bernardino Albuquerque, há que se ressaltar a participação de Albano José da Silveira e o apoio da comunidade da bucólica e minúscula povoação, que apesar da pobreza, não se acanharam ante o grande desafio, de naquela época, edificar ainda que muito pequena, a capela que viria a se transformar em uma das mais belas e confortáveis igrejas do Vale do Acaraú.

Com uma reforma estrutural que veio a mudar por completo as feições interna e externa, mas sem fugir do plano original, que lhe confere traços de uma arquitetura colonial. Obra realizada no paroquiato do atual vigário, Monsenhor Valdery Rocha.

Paróquia
 Na então Vila de Cruz, no ano de 1943, por iniciativa do Pe. Jose Inácio Mendes Parente sonhou-se com a criação da Paróquia de São Francisco da Cruz, que teve como seu maior entusiasta, Celso Araújo, que juntamente com vários outros ilustres da época,  tomou frente da empreitada, que de certo, não seria, como não foi fácil.

No ano de 1950, o sonho de ver elevada a Capela de São Francisco a categoria de paróquia foi retomado por um grupo formado pelos cidadãos Francisco Pereira de Sousa, Miguel Albano da Silveira e Raimundo Costa Sousa, que tiveram apenas a preocupação de captar o depósito que a Diocese de Sobral estabelecia como cota, no valor de cem contos de réis, que deveria ser convertido em patrimônio para a futura paróquia.

Todavia, a situação de pobreza da comunidade era grande, que se retratava em um lugarejo com poucas casas, com um mercado público com comércio quase inexistente. A quantia se tornava ainda se tornaria mais vultosa por conta da grande seca que sobreveio no seguinte ano de 1951.

Afora isso, ainda tinha a comunidade de Caiçara, que àquela época, era bem mais “estruturada” do que Cruz, e formalizou uma comissão que pressionava o então Bispo, de saudosa memória, D. José Tupinambá da Frota, para a criação da paróquia com sede em seu território.

Cogitou-se também, no ano de 1956, por ocasião da celebração do Jubileu de Prata Sacerdotal do Pe. Sabino de Lima Feijão, o intento de elevar a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Acaraú em uma nova sede episcopal, assim, era condição primeira, a criação na região de um maior número de paróquias, o que tornou mais próximo o sonho de ver Cruz elevado a categoria de matriz.

Com as duas comunidades, Cruz e Caiçara, disputando a elevação, D. José, designou um jovem, que já naquela época, se destacava por seu espírito de liderança e disposição empreendedora nas atividades que executava como seminarista menor. José Edson Magalhães era a pessoa, que o velho Bispo encarregara da função de estudos e dinamização dos trabalhos pró-paróquia de Caiçara. Com a de Cruz, a função ficou com Pe. Sabino.

O então vigário de Acaraú, Pe. Sabino, vendo as dificuldades que o jovem seminarista, José Edson Magalhães encontraria em seu mister, principalmente no deslocamento, á época, a distante Caiçara, trabalho que de certo exigiria constante acompanhamento, sugeriu-lhe a troca das funções delegadas. No que prontamente foi aceito pelo menorista.

Sabia-se que a elevação da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Acaraú, à sede de diocese, era um sonho mais que distante, um quase devaneio do velho Monsenhor Sabino. O que estava mais próximo de ser realizado na verdade, era a criação de uma nova paróquia na Matriz de Acaraú, mesmo diante das negativas de D. Jose Tupinabá, que apontava entre outros empecilhos, a falta de padres. Entretanto, agora a situação mudara, o ano era o de 1958, ano em que o jovem seminarista, aquele que funcionou como articulador pró-paróquia acabara de ser ordenado no dia 19 de janeiro, de sorte, que ventos agora sopravam com mais força as velas do projeto de criação da paróquia de Cruz.

Era sabido que o pai do neo presbítero, Joaquim Magalhães, gozava de prestígio junto a Cúria Diocesana, tanto, que sua influência, ainda que não diretamente, pesou de sobremaneira na decisão de D. José Tupinabá, quando da criação da Paróquia de Cruz em detrimento a de Caiçara, já que era condição primeira para a elevação de uma das capelas, a disponibilidade de um padre que quisesse assumir e residir em tão pobres e ermas vilas, e, claro, que Joaquim Magalhães atuaria, como atuou, usando até mesmo como contrapartida os fortes laços de amizade que existia de muitas décadas entre seu avô Coelho de Albuquerque e D. José, para que seu filho ficasse em Cruz, próximo dos seus.

E essa foi a argumentação que os membros da comissão pró-paróquia de Cruz expuseram quando sugeriram o nome do Pe. José Edson Magalhães, para assumir a paróquia a ser criada.

É fato, que Joaquim Magalhães foi peça preponderante no convencimento do Bispo, motivando Miguel Albano e outras personalidades nesse intento. Isso se pode ser facilmente comprovado com o relato de pessoas desta nossa cidade de Cruz que foram contemporâneos desses acontecimentos e, que contam com riquezas de detalhes todo o histórico do movimento de criação de nossa Paróquia. Dentre alguns, mesmo marcados pelo peso dos anos, ainda gozando de prodigiosa memória – verdadeiros arquivos vivos que não se furtam de uma boa conversa sobre o assunto, onde eles versam pelos anais de nossa história, nos levando ao passado – repito – com tanta riqueza de detalhes, que é como se fossemos transportados para o cenário dos acontecimentos e quase que, estivéssemos lá através de suas narrativas.

Destes, podemos citar: Valci Costa, Osmundo Lopes, Isa Muniz, Iracema Vasconcelos, Dalvina Muniz, Edílson Fabião, entre outros.
Finalmente então, após quase duas décadas, no dia 17 de março do ano 1958, D. Jose Tupinambá da Frota, assinava a portaria de elevação da Capela de São Francisco da Cruz a dignidade de Paróquia.

Os fatos que se seguiram a este ato, foram os mais profícuos  de nossa história recente, que de uma maneira profunda, mudaram a vida social, religiosa e cultural de Cruz, ato contínuo da benção dos dois paroquiatos que tivemos – Pe José Edson Magalhães e Pe. Manoel Valdery da Rocha, este ainda em vigência, e, com a certeza da providencia divina, muitos anos ainda há de durar.

Paroquiato de José Edson Magalhães (06.04.1958 a 05.09.1965)
Em seu livro: Um sonhador… Um realizador, Maria de Lourdes Vasconcelos (Lurdinha), que iluminada, tão bem relata os fatos da vida de Monsenhor José Edson Magalhães. Um registro impecável, com preciosidades da vasta e riquíssima biografia de nosso primeiro vigário, dedica um capitulo inteiro, e que servirá de base bibliográfica para o capítulo deste escrito, a passagem do “semeador” à frente de nossa Paróquia.

Transcrevo na íntegra, o primeiro parágrafo da página 49 do livro supra, que relata a nomeação do então Pe. José Edson Magalhães, a saber:
“Desígnio de Deus para uns, destino para outros; a verdade é que, aos 19 de março, dia de São José, no Palácio Episcopal, à hora do Almoço, presentes o clero da cidade de Sobral, Pe Sabino de Lima, vigário de Acaraú e Pe. José Edson Magalhães, a pedido de Dom José, o Pe. Francisco Austregésilo de Mesquita, então reitor do seminário, depois bispo emérito de Afogados da Ingazeira – PE, hoje falecido, lia a portaria de nomeação, lavrada no dia anterior, do Pe. José Edson Magalhães para vigário da nova Paróquia de São Francisco da Cruz, terra de Antonio Teixeira Pinto e Francisco Rodrigues de Oliveira Magalhães, seu avô paterno”.

Então aos seis dias do mês de abril, daquele abençoado ano de 1958, em uma manhã festiva para a população da pequena comunidade de Cruz, tomava posse, em missa solene o jovem “semeador” Pe. José Edson Magalhães.

Estava começando ali, um longo processo que viria a transformar a provinciana mentalidade sócio-cultural das famílias cruzenses, presas ao paradigma de uma Igreja com moldes ainda medievais, que tinha agora, um jovem e culto padre, com a missão de fazer a “passagem” para as novas diretrizes do Concílio Vaticano II, tirando a aristocrática e inatingível figura do padre, para uma nova, com mais cara de povo, mais próxima, mais pastora…

E assim foi, o paroquiato de Pe. José Edson Magalhães – O Semeador, que se aqui fôssemos relatar tudo quanto foi idealizado e concretizado por ele, não nos seria possível um compêndio de sua ação frente a nossa Paróquia.

Paroquiato de Manoel Valdery da Rocha (12.09.1965 aos dias atuais…)
 A então pequena comunidade local, ainda ressentida com a transferência do Pe. José Edson Magalhães para a paróquia mãe de Acaraú, recebia agora com grande júbilo o jovem Manoel Valdery da Rocha, recém sagrado em ordenação sacerdotal, filho de Morrinhos, e que como experiência, apenas os sete meses em que atuou como coadjutor da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Acaraú, junto ao saudoso Mons. Sabino de Lima.

As dificuldades eram grandes, como Pe. Edson, Pe. Valdery se viu diante dos mesmos problemas: cidade pequena, paróquia paupérrima, apesar de algumas coisas terem sido iniciadas no paroquiato anterior, mas muito, muito ainda tinha que ser feito…

Vendo a deficiência primeira da comunidade, através de sua sensibilidade de educador, fundou – realizando um almejado e antigo sonho do povo cruzense – a Escola Fundamental São Francisco em 1972, que hoje, juntamente com o CEPAC – Centro Pastoral de Cruz e o convento das Irmãs Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, se constitui em um dos maiores complexos educacionais e de treinamento do Vale do Acaraú, com modernas e confortáveis instalações que, além da demanda do ensino fundamental, oferta ainda curso de Pedagogia em Regime Especial em convenio com a Universidade Vale do Acaraú – UVA.

Padre Valdery, é o que se pode afirmar categoricamente um incansável, um construtor, seu paroquiato até aqui de 44 anos, é pontuado por várias realizações que conferem à Paróquia de São Francisco da Cruz, um status de destaque ante a paróquias mais antigas e estruturadas da Diocese de Sobral. A antes acanhada Capela de São Francisco, do não tão distante ano de 1958, que era elevada a categoria de paróquia naquele mesmo ano, hoje, por obra e graça da tenacidade incansável de Pe. Valdery – O Realizador, desponta com referencial no Vale do Acaraú.

Dentre as tantas de suas realizações, cite-se somente algumas de maior envergadura, a saber:
- 03 grandes reformas na Igreja Matriz – 1970, 1992 com a construção da torre, 2001 – a mais completa e estrutura, que mudou por completo as suas feições tanto externa como interna;
- Construção e/ou reforma das Casas Paróquias de Cruz, Cajueirinho, Caiçara, Aranaú e Prata;
- Construção de centros comunitários em Lagoa da Volta, Medeiros, Cedro, Barrinha II, Jenipapeiro, Paraguai, Cavalo Bravo, Aroeira, Córrego do Urubu, Córrego da Forquilha, Baixio e Borges;
- Construção de Monteiros, Castelhano, Carrapateiras, Imbé, Belém, Cajueirinho I, Cajueirinho II, Morgado, Lagoa de Baixo, Barrinha, Poço Doce, Lagoa Salgada, Cedro, Aroeira, Guarda, Porteiras, Tucuns, Lagoa Velha, sendo algumas destas em andamento e, com total apoio da comunidade local;
- Construção na sede da Paróquia da Capela São João, no bairro de mesmo nome e, a Capela Velório no Cemitério São Vicente de Paulo;
- Reformas estruturantes nas Capelas de Prata, Imbé, Aranaú e primeira reforma da atual Igreja de Jijoca;
- Reformas nos cemitério paróquias de Cruz, Cajueirinho, Caiçara, Aranaú, Castelhano, Carrapateiras, Prata, Monteiros e Baixio;
- Construção do Centro Pastoral Pastoral de Aranaú e instalação da Área Pastoral, sob a coordenação das Irmãs Missionárias;
- Creche Criança Feliz;
- Rádio 06 de Abril;
- Escola Fundamental São Francisco;
- CEPAC – Centro Pastoral de Cruz;
- Casa das Irmãs Missionárias em Cruz;
- Criação e instalação da Paróquia de Santa Luzia em Jijoca;

As ações do Realizador, não se restringiram somente ao apostolado, diga-se de passagem, bastante fecundo, como também na campanha plebiscitária pela luta da emancipação política do então Distrito de Cruz, que funcionou sob sua coordenação, culminando no ano de 1985 na elevação de Cruz a categoria de município.

Conclusão
Afirmo, sem medo de erro, que sem a influência direta destas duas grandes figuras que tivemos a grata sorte de tê-los conosco, mesmo não sendo filhos legítimos desta nossa terra, entretanto, por suas ações, foram bem mais cruzenses de que muitos patrícios nossos, devotando além do zelo de seus ministérios sacerdotais a frente de nossa Paróquia, expressaram um amor desmedido que se refletiu e ainda reflete em ações que nos impulsionaram com rumo certo ao crescimento e ao estágio de desenvolvimento onde eles, em suas visões a frente de um tempo, que as condições da época conspiravam para que se tornasse esta nossa cidade, sem suas providenciais ações, igual a tantos outros vilarejos deste nosso pobre nordeste – desassistidos e abandonados à própria sorte dos meandros clientelista da forma de se fazer política nestas paragens.

Obrigado é pouco ante o grande sentimento de gratidão que devotamos às pessoas dos Monsenhores José Edson Magalhães (em memória)  e Manoel Valdery da Rocha.

Fonte: Paulo Roberlando da Silva Ribeiro

quinta-feira, março 20, 2014

Noite literária, com lançamento de obras, em Acaraú

 
 Foto: Edson Costa

No último sábado, dia 15, a cidade de Acaraú foi palco de uma Noite Literária de lançamento de obras de escritores acarauenses na Escola Estadual de Educação Profissional Marta Maria Giffoni de Sousa, no bairro Monsenhor Edson Magalhães. Foram lançados o livro “Poemas”, de Dom Edmilson da Cruz (grande homenageado da noite) e Padre José Prado Ponte; “Uma sombra no espelho”, do poeta e professor Dimas Carvalho; e “Correguinho de minha infância”, de Rita de Oliveira Andrade Araújo. O evento foi uma realização da Câmara Municipal de Acaraú.

Em seu pronunciamento, Dom Edmilson da Cruz, nascido em Aranaú, distrito de Acaraú, bispo emérito de Limoeiro do Norte, que em outubro completará seus 90 anos de idade, agradeceu a homenagem e ressaltou alguns momentos de sua missão eclesiástica. Ressaltou a necessidade da mansidão. “Homem não deve ter medo de outro homem. Briguem manso, ou seja, não briguem”, aconselhou.

 Abelardo Martins, Totó Rios,Vicente Freitas, Dimas Carvalho, 
Dom Edmilson da Cruz, Rita de Oliveira

Dom Edmilson que chega às nove décadas de existência com ampla lucidez e em atividades eclesiásticas, teceu elogios aos outros escritores e deixou uma mensagem de paz a todos os presentes. “Tenham paz, sejam felizes, tenham Deus nas suas vidas e apóiem aos que são injustiçados na alegria de servir”, ensinou o bispo.

Dimas Carvalho, outro escritor que lançou mais um livro de poemas que recebeu inúmeros prêmios literários, “Uma sombra no espelho”, faz parte da Academia Sobralense de Letras, na cadeira que era do Padre Antônio Tomás, príncipe dos poetas cearenses. Dimas é neto do pesquisador e poeta Nicodemos Araújo, um dos maiores expoentes literários da região, autor da letra do Hino de Acaraú. Dimas destacou a importância da noite para o desenvolvimento do quadro literário da região.

Essa visão é compartilhada pelo poeta e museólogo itaremense Zé de Fátima, que compareceu à noite literária representando o empresário e ex-prefeito de Itarema, Robério Monteiro. O museólogo destacou a importância da noite para o quadro cultural de Acaraú e da região do Vale do Acaraú e ressaltou o importante apoio que Robério Monteiro tem dado não só à cultura, como às outras áreas em Itarema e na região, não só nos seus dois mandatos de prefeito, como até os dias atuais, por meio de uma intensa prática política em prol do povo.

Em seu discurso, Dimas fez um resgate histórico de Acaraú e de suas grandes personalidades e destacou que Dom Edmilson seria a maior personalidade viva de Acaraú. Resumiu a grandeza do bispo pela sua humildade, servo de Deus, que sempre está ao lado dos pobres e em defesa da justiça social. “Que Acaraú seja digno de Dom Edmilson, siga seu exemplo de ser humano preocupado com os outros”, destacou.

A noite contou com poetas da região, políticos, professores, familiares dos escritores, representantes da imprensa e população em geral que lotou o auditório da Escola Profissionalizante. Entre os que compareceram, o poeta de Bela Cruz, Vicente Freitas, a tabeliã do Cartório do 1º Ofício de Notas de Acaraú, Honorata Carmo, o ex-prefeito de Cruz, Antônio Raimundo Neto, o chefe de gabinete da Prefeitura de Cruz, Clairton, entre outros.

segunda-feira, março 17, 2014

A MAIOR LIÇÃO DE 2010 — Dom Edmilson da Cruz

A MAIOR LIÇÃO DE 2010 - FELIZ 2011



1- Conversei com Dom Edmilson da Cruz, religioso e grande intelectual cearense, que foi notícia no Brasil e no mundo, por ter ministrado a maior lição de 2010 para os políticos e para o povo brasileiro.
Dom Edmilson da Cruz RECUSOU uma homenagem do Senado Federal em nome da MORAL, do
RESPEITO AOS TRABALHADORES E AO POVO BRASILEIRO e para mostrar a indignação da
Nação com o reajuste dos Deputados, Senadores e demais políticos do Brasil.
Foi uma lição de humildade, coragem e de respeito aos sentimentos de um povo trabalhador e explorado
por uma minoria que se beneficia e faz festas com o dinheiro do contribuinte.
Dom Edmilson da Cruz foi Homem, foi Mestre, foi Pai e soube com firmeza e amor ensinar para os políticos
a MAIOR LIÇÃO DE 2010:  REPEITEM O POVO BRASILEIRO .

2- Dom Edmilson da Cruz me disse que recebeu vários convites para ele liderar  um movimento para que
    o Congresso Nacional reveja o reajuste já aprovado pelos Deputados e Senadores e se crie uma Lei de
    iniciativa popular, regulamentando o reajuste dos Deputados e Senadores, seguindo  os critérios do
    reajuste dos trabalhadores ( seria a Lei Dom Edmilson da Cruz );

3- O GRUPO CHOCALHO(http://grupochocalho.blogspot.com/) homenageou Dom Edmilson da Cruz
     que  NÃO recusou a honraria.
     SOBRE ESSE FATO ELE DISSE: " AÍ MEU FILHO É OUTRA HISTÓRIA ! " ( RISOS ).


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DOM EDMILSON DA CRUZ: UMA LIÇÃO DE AMOR PARA OS POLÍTICOS



FRASES DE DOM EDMILSON DA CRUZ PROFERIDAS NA SOLENIDADE
ONDE RECUSOU A HOMENAGEM DO SENADO:


" Quem vota em político corrupto está votando na morte! Vou falar mais calmo ainda, porque falo por amor: Quem vota em político corrupto está votando na morte! "


" Senhores e Senhoras, meus irmãos e irmãs, sinto-me primeiro perplexo, depois decidido. A Comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. "


" De seguro, porém, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. (Palmas.). Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho."



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A MEDALHA RECUSADA POR DOM EDMILSON DA CRUZ

A HOMENAGEM RECUSADA EM NOME DO POVO BRASILEIRO




A ÍNTEGRA DO DISCURSO DO BISPO

O SR. MANUEL EDMILSON DA CRUZ –


" Sr. Presidente Senador Inácio Arruda. Sr. Defensor dos Direitos Humanos de Abaetetuba do Pará, Sr. Antonio Roberto Figueiredo Cardoso. Defensor Público da Comarca de Taubaté, do Estado de São Paulo, Sr. Wagner Giron de La Torre. Sr. Secretário Executivo do Conselho de Direitos, Sr. Eden Pereira Magalhães, representando o agraciado, grande amigo e irmão dom Pedro Casalgáliga Pla, Bispo emérito de São Félix do Araguaia. Sr. Eduardo Freitas, representante de Marcelo Ribeiro Freixo e todas as outras pessoas aqui, Senadores e pessoas que estão presentes.

Quero uma saudação especial ao meu amigo e companheiro de luta Dr. Cláudio Sadá, um dos membros fundadores da Comissão Regional de Justiça de Paz no Ceará, pelo muito que tem realizado, o que vai se gravar na história.

Saudação a todas as pessoas aqui presentes.

Queria confirmar o que disse o Senador Inácio em relação à situação do trabalhador sem salário mínimo, porque a meu ver isso é um retrocesso comparado ao tempo da escravidão. O escravo era alimentado, o patrão, o dono só tinha interesse em alimentá-lo, ele (inaudível) trabalhar, é diferente. Então, é um retrocesso nesse sentido. Não sei se concordam comigo. É uma coisa de fazer muita pena.

Depois, em relação ao nosso Dom Hélder ao que disse o Senador José Ney, eu queria dizer que a minha primeira ... esse menino de nove anos, a primeira vez que o Dom Hélder Câmara foi lá na cidade de Acaraú, no norte do Ceará, batida preta no comício do integralismo, camisa verde camisa verde. É impressionante este fato, para dizer que nós não podemos jamais perder a esperança em ninguém, porque este mesmo Padre Helder era, antes de tudo, um santo. Ele passava, o dia todo ocupado, magrinho como ele era, frágil, humanamente falando, duas horas, todas as madrugadas, diante do Santíssimo Sacramento, em oração, em adoração. Isto marca a personalidade de Dom Helder. É este mesmo Dom Helder que, entre os seus pensamentos, este aqui, para mim, é uma coisa muito interessante, que ajuda muito a viver e a conservar e a alimentar a esperança que Deus nos dá. Ele diz assim, a partir dessas orações das madrugadas: “A criatura é como cana. Mesmo passada pela moenda, mesmo reduzida a bagaço, mesmo desfeita de todo, só sabe dar doçura”. Isto é Dom Helder.

Agora, meus irmãos, espero ser muito bem entendido no que vou dizer. Eu o faço levado por amor e também por confiança; essa esperança que Deus me ensinou a colocar em todas as pessoas humanas.

A surpresa deste dia chegou aos meus ouvidos à noitinha, quinta-feira, 16 de dezembro, como o alvorecer da aurora e a vibração cantante de um “bom-dia”.

Mais que surpresa, era como se alguém de extraordinária generosidade tivesse focado uma libélula, projetando a sua leveza e levando a atingir as proporções de uma águia e de um condor.

Passa por esse crivo, caro Senador Inácio, o meu agradecimento pessoal, cordial e profundo ao senhor, aos seus ilustres pares que o apoiaram nesta iniciativa e a todo o Congresso Nacional e às pessoas que estão aqui presentes.

Pensei, em vista dos meus 86 anos, em receber esta honraria por meio de um representante, mas o Congresso Nacional merece respeito. O verdadeiro Congresso Nacional é sinal de verdadeira democracia. A honrosa Comenda porém dos pais da pátria, como diziam os romanos, patres conscripti, me faz refletir precatórios que se arrastam por décadas, aposentados e idosos com as suas aposentadorias reduzidas, salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas; depois de três meses de reivindicações e greves, os condutores de ônibus do transporte coletivo urbano de Fortaleza agora, dos cerca de 26% de aumento pretendido, mal conseguiram, a duras penas, pouco mais de 6%, quer para a categoria, quer para o povo, principalmente os pobres da quinta maior cidade de nosso Brasil. Meus irmãos e irmãs, falo agora de coração com muita fé, com o grande respeito que devo a todos, mas, falo como irmão e irmã sobretudo, quer dizer, assumindo a alma de todas as pessoas, pois é exatamente nesse momento que o Congresso Nacional aprova o aumento de 61% dos honorários de seus Parlamentares que em poucos minutos chegam a essa decisão e ao efeito cascata resultante e o impõe ao povo brasileiro, o seu, o nosso povo. O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera Parlamentares? Graças ao bom Deus, há exceções decerto em tudo isso. Mas, excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito. Quem assim procedeu não é Parlamentar. É para lamentar. Prova disto? Colha na internet.


Se o tom se torna como quem está com rancor, não tem rancor nenhum aqui, tem veemência, que é diferente, e amor.

Bem verdade é que a realidade não é assim tão simples e a desproporção numérica, um dado inarredável. Já existe – e é de uma grandeza bem aventurada! – o SUS, o bolsa família.

Aí estão trinta milhões de brasileiros, que as linha de pobreza, às vezes até da indigência, alcançaram a classe média – isto é muito bonito. É verdade a atuação do Ministério da Saúde. Existe o Ministério da Integração Nacional. É verdade! Mas, não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta. Disso sou testemunha. Maldita realidade desumana esta, desalmada! Ela já é em si uma maldição. E me faz proclamar em pleno Congresso Nacional, como já o fiz em Assembléia Estadual e em Câmara Municipal: Quem vota em político corrupto está votando na morte! Vou falar mais calmo ainda, porque falo por amor: Quem vota em político corrupto está votando na morte! Mesmo que ele paradoxalmente seja também uma pessoa muito boa, um grande homem. Ainda não do porte de um Nelson Mandela que, ao ser empossado Presidente da República do seu país, reduziu em 50% o valor dos seus honorários.

Considerações finais.

Senhores e Senhoras, meus irmãos e irmãs, sinto-me primeiro perplexo, depois decidido. A Comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém.

De seguro, porém, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. (Palmas.). Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suór de seu rosto e a dignidade de seu trabalho.

É seu direito exigir justiça e equidade, em se tratando de honorários e de salários, também. Se é seu direito, e eu aceitar, estou procedendo contra os direitos humanos. Perderia todo sentido este momento histórico. O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria. Isso não acontece! O que acontece –repito– é um atentado contra os direitos humanos de nosso povo. A atitude que acabo de assumir, assumo com humildade... Assumo com humildade, sem pretensão a dar lições a pessoas tão competentes e tão boas. A todos suplico compreensão e a todos desejo a paz e os meus sinceros votos de um abençoado feliz Natal e um próspero Ano Novo. Deus seja bendito para sempre! Muito obrigado. (Palmas.)."





O SR. PRESIDENTE (José Nery. (PSOL - PA) – Meus cumprimentos a Dom Manuel Edmilson da Cruz que, coerente com aquilo que pensa, neste momento adota uma atitude de rejeição ao que fez o Congresso Nacional quando reajustou, em 62%, os salários dos parlamentares para o próximo período.

O SR. MANUEL EDMILSON DA CRUZ – Minha sugestão é outra: é a de se desfazer o erro quando se começa. É agora! Deve-se retroceder, como o fez Mandela. O caso dele era muito diferente... Desculpem-me a insistência: isso é grito da natureza humana ferida! Não é possível! Deve-se acabar com esse trabalho e reduzi-lo ao normal, ao correto.

O SR. PRESIDENTE (José Nery. (PSOL - PA) – Entendemos o gesto, o grito e a exigência de Dom Edmilson da Cruz que, em sua fala, Sua Excelência Reverendíssima também diz que veio aqui e compareceu mas recusará a comenda. Também exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares.

Queria neste momento dizer, Senador Inácio Arruda e Senador Cristovam Buarque, que tomei conhecimento que um grupo expressivo de estudantes se dirigiu à entrada do Congresso Nacional para, também –na mesma linha em que o faz Dom Edmilson da Cruz–, como se fosse uma intercomunicação (que a gente não vê, mas acontece), promove, neste momento, um protesto contra o reajuste "


FONTE: CONGRESSO EM FOCO
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=35627

domingo, março 16, 2014

Dom Manuel Edmilson da Cruz

Bispo Emérito de Limoeiro do Norte - CE, desde 04/08/1994. Nasceu aos 03 de outubro de 1924, em Aranaú, Distrito de Acaraú - CE. Filho de João Batista da Cruz e Luíza Ferreira da Cruz.

Foi batizado aos 02 de dezembro do mesmo ano, em Acaraú, pelo Revmo. Pe. Francisco Araken da Frota. Seus padrinhos foram: José Gonçalves Ferreira e Ana Sales Giffoni. A 30 de julho de 1925, Dom José Tupinambá da Frota o crismou. Neon Sales Lopes foi o padrinho. Desde muito pequeno queria ser padre, correspondendo à orientação e aspiração de sua genitora. Fez aos 07 anos a Primeira Comunhão. Matriculou-se em 1932 no 4° ano, pois seus pais costumavam dar a instrução primária no próprio lar. Por Intermédio do Pe. Sabino, entrou no Seminário São José de Sobral, 110 dia 04 de fevereiro de 1937, iniciando o Curso Ginasial, quando demonstrou aplicação e inteligência. Foi Prefeito do Seminário durante três anos. Em 1942 foi para o Seminário Maior de Fortaleza, onde cursou Filosofia e Teologia. Presidente do Centro de Improvisos São João Crisóstomo e do Círculo de Estudos Santo Tomás de Aquino. Também co-fundador e colaborador do jornalzinho "VIRTUS" do Seminário. Em 1945 recebeu a primeira tonsura; em 1946, as ordens menores. (ostiariato, leitorato, exorcistato e acolitato); 'm 1947, o subdiaconato; e em 1948, o diaconato.



Aos 05 de dezembro de 1948, foi ordenado Sacerdote por Dom José Tupinambá da Frota, Bispo de Sobral e, no dia, 08 do mesmo mês, celebra a Primeira Missa Solene em Acaraú. Após as férias, volta para o Seminário de Sobral, onde exerce as funções: Prefeito de disciplina, Professor, Vice-Reitor. De 1956 a 1960 foi Diretor Espiritual. Como professor lecionou: Latim, Inglês, Francês, Português, Física, Química, Ciências e História. Assumiu a Capelania da igreja do Coração de Jesus, da Cadeia Pública, das Irmãzinhas da I maculada, do Ginásio Santana, do Patronato Maria Imaculada, da Maternidade Manuel Marinho de Andrade. Foi Consultor diocesano, Coordenador da Catequese dos bairros do Sagrado Coração de Jesus e Expectativa, em Sobral, e encarregado do primeiro projeto de criação das paróquias de Cruz e Itarema. Confessor das Religiosas de mais de uma das casas da cidade. Diretor diocesano de Catequese e da Obra das Vocações Sacerdotais. Fundou e manteve o Boletim Catequético e Vocacional. Em Fortaleza, a partir de 1964, integrou a Equipe de Direção do Seminário Provincial. Foi Prefeito do Seminário, Professor de Lógica, Ascética e Mística, Catequese, Diretor Espiritual do Curso Clássico. Em agosto de 1966, o Papa Paulo II o elegeu Bispo Auxiliar de São Luís do Maranhão, recebendo a Ordenação Episcopal de Dom João José da Motta e Albuquerque em Sobral, aos 06 de novembro do corrente ano. Tomou posse como Bispo Auxiliar em 28 de dezembro de 1966. No ano seguinte, foi Vigário Episcopal em Brejo. Deu forte apoio às Comunidades Eclesiais de Base, fundou a Associação Brejena de Caridade. Tornou-se membro da Comissão Episcopal do Seminário NE I, ocupando-o até 1986. Em 1974 é nomeado Bispo Auxiliar de Fortaleza, tomando posse aos 07 de agosto de 1974. Era Arcebispo de Fortaleza Dom Aloísio Lorscheider. A partir de 1980, assume várias funções: membro da Comissão Episcopal Pastoral do Novo Regional NE I, c da comissão Regional da Seca; responsável pela Pastoral Urbana e pela Comunicação; Vice-presidente do Regional NE 1 (1980-1985). Fez a memória sobre Religiões não-cristãs no Regional NE 1 e N 4; responsável pelas Foranias da Serra, Sertão e Sul na Arquidiocese de Fortaleza. Promoveu grandes Encontros de Cantadores e Violeiros do Ceará, de 1976 a 1982. Em maio de 1992, foi nomeado pelo Papa João Paulo lI, Administrador Apostólico "Sede Plena" da Diocese de Limoeiro do Norte, sem deixar a função de Bispo Auxiliar de Fortaleza. Trabalhou nas duas dioceses, de 1992 a 1994, quando foi eleito Bispo diocesano de Limoeiro do Norte-CE. Em Fortaleza, manteve vários programas de evangelização, de Rádio e Televisão.

Nomeado Bispo Diocesano de Limoeiro do Norte em maio de 1994, tomou posse no dia 04 de agosto, do mesmo ano. Assumiu o governo da Diocese de Limoeiro do Norte até o dia 06 de maio de 1998, dia em que foi publicada pelo Vaticano a sua renúncia por motivo de saúde. Foi o quarto Bispo diocesano, em Limoeiro do Norte, sempre zeloso e incansável, como Pastor. Sempre humilde e paciente. Obediente e compreensivo. Fez Curso de Psicologia e Personalidade, St. Jerôme, Québec / Canadá. Cursos de CADES (Inglês) em Fortaleza. Deixou alguns trabalhos publicados, outros inéditos. Seu lema: "Verbum caro factum" (Palavra feita de carne).

Deu-nos um pensamento de ouro: "Se eu nascesse cinquenta mil vezes, eu queria ser padre cinquenta mil vezes". 
Fonte: Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará, Pe. Aureliano Diamantino Silveira

sábado, março 15, 2014

PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO E UM ALERTA SOBRE O MERCADO PARARELO

RESENHA

ZATZ, M. GENÉTICA: Escolhas que nossos avós não faziam. 1. Ed.

São Paulo: Globo, 2011.

BOOK REVIEW: GENETICS: CHOICES THAT OUR GRANDPARENTS DID NOT.


PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO
E UM ALERTA SOBRE O MERCADO PARARELO


Monalisa Geossandra de Araújo
O nosso objeto de estudos, hoje, se refere ao Capítulo 9, do livro Genética: escolhas que nossos avós não faziam”, de autoria da pesquisadora Mayana Zatz. Seu livro foi publicado em 2011, pela Editora Globo, e é uma referência quando se fala do assunto. O Capítulo, intitulado “Pesquisas com Células-Tronco e um alerta sobre o mercado paralelo”, mostra a preocupação da autora desde que a Lei de Biossegurança, nº 11.105, de 24 de março de 2005, foi aprovada e regulamentada, permitindo pesquisas com Células-Tronco obtidas de embriões congelados produzidos por fertilização in vitro.
Mayana, que é uma pesquisadora da USP, conhecida internacionalmente, e participou ativamente da aprovação pelo Congresso Nacional das pesquisas com Células-Tronco embrionárias, traz um pouco de sua experiência para o cotidiano das pessoas.  Segundo ela afirma “A Genética está para o século XXI, assim como a Física esteve para o século XX”.
A polêmica em torno das Células-Tronco embrionárias tomou conta do país quando o Congresso nacional discutia a aprovação da Lei de Biossegurança, que estabelece normas e mecanismos de fiscalização em todas as atividades relacionadas a organismos geneticamente modificados e permite as pesquisas com essas células obtidas de embriões humanos supranumerários. Após muitos debates de cientistas a favor ou contra, em maio de 2008, o Supremo Tribunal Federal aprovou, sem restrições, os avanços com células-tronco embrionárias, no país.
A autora lembra que, apesar dos avanços, há muito ainda o que fazer, e um longo caminho a ser percorrido, e que tudo isso leva tempo. Novas ideias precisam ser testadas: primeiro no laboratório, em culturas de células, e depois em modelo animal. Às vezes, o que parece promissor no laboratório não funciona em modelo animal. E, às vezes, o que funciona em animais não funciona em humanos.
Ela também alerta sobre o mercado paralelo, e até mesmo para a propaganda enganosa. “Tais procedimentos, envoltos em mistério, não têm protocolo de pesquisa, não se sabe o que é utilizado, não há acompanhamento dos pacientes e nem comparação dos resultados”.
Ironicamente, apesar do envolvimento pessoal da pesquisadora na aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, ela tem se dedicado a um subgrupo especial de células-tronco adultas, as células-tronco mesenquimais. As únicas, segundo ela afirma, com o potencial de formar todos os 216 tipos celulares do corpo. Além disso, a luta para a aprovação da Lei de Biossegurança envolvia outro ideal: a liberdade para fazer pesquisas sem restrições, sem imposições religiosas, as mesmas que são realizadas nos países mais desenvolvidos.
Na verdade, descobrir um tratamento para as doenças neuromusculares tem sido o projeto de vida da pesquisadora. Segundo ela afirma, “não estamos longe de iniciar ensaios terapêuticos em pacientes”. Mas, faz questão de lembrar: “Ensaios clínicos são pesquisas, não ainda tratamento”.

Monalisa Geossandra de Araújo — 17 anos.
Cursa  Fisioterapia — Faculdades  INTA Sobral CE.

Informações bibliográficas

Título
Genética: Escolhas que nossos avós não faziam
Autor
Mayana Zatz
Editora
Globo Livros, 2011
Num. págs.
207 páginas   

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Aeroporto de Jericoacoara receberá voos durante a Copa

A Setur busca a homologação parcial para que o local receba voos de táxis aéreos, executivos e outros.
 
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As pistas estão completas e a estrutura dos terminais têm 50% concluídos. A expectativa é para voos não comerciais neste primeiro momento
FOTO: JÉSSYCA RODRIGUES
A Setur busca a homologação parcial para que o local receba voos de táxis aéreos, executivos e outros

Cruz. O Aeroporto Internacional de Jericoacoara estará recebendo voos pontuais durante a Copa do Mundo 2014, mesmo sem estar pronto totalmente. A entrega completa do equipamento está prevista para julho próximo. Até agora, as pistas já estão completas e a estrutura dos terminais encontra-se com 50% concluídos. O município irá receber ainda obras na CE-085 que liga a localidade de Monteiros à Praia do Preá.
O secretário de Turismo do Estado, Bismarck Maia, explica que a Setur busca a homologação parcial para que o Aeroporto Internacional de Jericoacoara receba voos de taxis aéreos, voos executivos e qualquer outro tipo de aviação que não estejam vinculadas com empresas aéreas.
A Setur esteve no último dia 14 juntamente com o prefeito de Cruz, Adauto Mendes, e os secretários municipais de Infraestrutura e Turismo. Estiveram presentes também representantes do Banco de Desenvolvimento Latino Americano (CAF). A comitiva visitou os locais onde estarão recebendo investimentos do Caf, sendo eles o Aeroporto Internacional de Jericoacoara, Praça de Eventos e Pavimentação do trecho até a Praia do Preá.
Bismarck destaca que o investimento é importante para a consolidação da região como destino turístico internacional, abrangendo todas as praias e serras por perto. "Para que o destino seja realmente consolidado, é de suma importância que haja um aeroporto até 70km de distância. Além da praia de Jericoacoara, o Preá, Camocim e Acaraú serão alguns dos destinos privilegiados com a chegada do aeroporto", afirma ele.
A pista já concluída teve investimento de R$ 47,4 milhões. Possui 2,2 mil metros de extensão e capacidade para 1.200 voos por ano. É a segunda maior pista do Estado. A escolha pelo município de Cruz foi estratégica, para o empreendimento. Foi devido à praia de Jericoacoara ser cercada pelo Parque Nacional, exigindo preservação do ambiente natural. Com o aeroporto, a viagem entre Fortaleza e a praia mais procurada do Ceará passará de seis horas de carro para uma hora de voo.
Além dos turistas, o aeroporto servirá também para o escoamento de produção agrícola do da Região Norte e da Serra da Ibiapaba, principalmente a produção agrícola e a exportação de flores e frutas para a Europa. "O transporte por meio de vias aéreas é hoje o mais popular por meio das empresas. Se tornou mais rápido e barato. Com a construção que liga a cidade de Viçosa do Ceará à Granja, torna esse acesso da serra ainda mais rápido para as produções daquela região", aponta Bismarck.
Rodovia estadual
Cruz vai receber ainda um reforço na estrada que liga a localidade de Monteiros até Preá, a CE-085. Faz parte do pacote de obras do Estado no setor de infraestrutura na região. A rodovia está em processo de licitação durante o mês de março e a expectativa é de que, até maio, iniciem as obras.
Outra estrada a ser beneficiada é a que liga Barroquinha à Praia de Bitupitá. "Essa é uma demanda antiga dos moradores de ambos os municípios e irá proporcionar maior conforto e segurança para quem transita ali diariamente e para o turismo das duas regiões".
O secretário de Turismo de Cruz, Agnaldo de Menezes, afirma que um empreendimento desse porte vem para atender toda a região, não apenas trazendo turistas, como também servindo como alternativa para a população local que busca um meio mais rápido de chegar à Capital.
Para tanto, ressalta que cada ação deve ser pensada em conjunto regional, abrangendo diversos órgãos de vários municípios. "O aeroporto servirá para Rota da Emoção, que compreende Maranhão, Piauí e Ceará. Tudo vem sendo trabalhado em parceiras". Para driblar as distâncias entre a sede do município, Jericoacoara, Preá e o aeroporto, o secretário explica estar sendo discutida a implantação de uma linha de táxi e vans que façam o transporte entre aeroporto e sedes, além da linha de 4x4 que levariam direto às praias. "O assunto é discutido amplamente. Associações e cooperativas já têm se apresentado para ocupar essas linhas".
Jéssyca Rodrigues
Colaborador
Mais informações
Secretaria do Turismo do Estado
(85)3101.4661/4654
Prefeitura de Cruz
Praça dos Três Poderes,S/N
(88)3660.1277
Fonte: Diario on line

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Lançamento da 2ª edição do livro "BELA CRUZ — biografia do município".

O lançamento da 2ª edição do livro "BELA CRUZ — biografia do município", de autoria de Vicente Freitas, aconteceu no dia 21 de fevereiro de 2014, às 18:00 hs., no auditório da Câmara Municipal de Bela Cruz. O autor e a obra foram apresentados pelo Mons. Francisco de Assis Magalhães Rocha, Assessor de Comunicação da Diocese de Sobral.
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"BELA CRUZ — biografia do município", o livro,  você encontra aqui:
  • Vicente Freitas de Araújo